As cores do som

Sinestesia é um assunto apaixonante. Não estou falando aqui da patologia (que é um outro assunto, tão interessante quanto!), mas sim dessa metáfora poética e palpável que a gente sente na pele. É ver um alimento e antecipar seu gosto, ouvir uma música e  arrepiar o braço, sentir um cheiro e voltar à infância. Os sentidos se misturam e não podem mais ser distinguidos, trazendo o doce gosto fantasioso da realidade.

A_caricature_of_Louis-Bertrand_Castel's_-ocular_organ-

Nessa brincadeira, invenções a la Professor Pardal povoam o nosso planeta desde o século XVIII para criar um instrumento que permita enxergar as cores dos sons. O francês Jesuit Louis-Bertrand Castel foi um dos primeiros, com seu “clavicórdio colorido”, que levantava tiras de papel com a cor correspondente a cada tecla que era tocada.

Alexander Rimington inventou em 1893 o “Colour-organ”, que foi utilizado pelo seu xará, o compositor Alexander Scriabin, em sua “sinfonia sinestésica” Prometheus: O poema de fogo.

Assista à curiosa performance da sinfonia de Scriabin aqui: http://www.youtube.com/watch?v=589_HJtPevo

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As primeiras conexões do Grupo Quinto

Como já foi explicado, o Grupo Quinto começou a partir de um convite da Joana Boechat no início do ano para cada integrante do grupo, pra trabalhar juntos e se fortalecer como pianistas. Ela discutiu muito isso com o Flávio Pires, que ajudou a começar com a ideia toda. Ao longo dos meses, e com a ajuda da Mariana Antonoff, ficou claro um objetivo nosso, muito forte: estabelecer conexões entre nós pianistas (e eu gosto de pensar em todos os pianistas, não apenas os sete do grupo), entre a nossa área e várias outras e entre o nosso trabalho e a sociedade, o público.

 Mas se nós pensarmos em conexões entre nós mesmos, vale a pena falar um pouco das que eu, Joana, Fernanda, Ricardo, Anderson, Izabela e Flávio estabelecemos ao longo de anos de convivência. E aí eu me lembro de um dia em que eu e Joana fomos nos reunir com o Graziani Riccio – nosso designer, e uma das pessoas que mais ajudou o Quinto a nascer. Foi uma conversa fundamental para que ele – e nós mesmas – entendêssemos as origens do nosso grupo.

Eu e Fernanda nos conhecemos há 20 anos. Isso mesmo! A gente fazia aula de natação na mesma escola. Depois disso, estudamos no mesmo colégio, fomos colegas de música, e fizemos muitas escolhas de vida bem parecidas. Há até quem diga que somos irmãs gêmeas, e há quem nos confunda! Mas no fundo somos muito diferentes, e é isso que torna a convivência, a amizade e o trabalho em conjunto tão interessantes… Já eu e o Ricardo nos conhecemos há 10 anos. E a nossa amizade foi se estabelecendo aos pouquinhos, mineiramente, e hoje, depois de sermos colegas de música e de escola, somos parceiros de trabalho em várias frentes diferentes… No ano de 2004 – ano do vestibular, nós três estávamos muito juntos, unidos no desejo de ter a música como profissão além de paixão. E foi na prova de música que conhecemos a Izabela, que depois se tornou nossa colega na UFMG. De lá pra cá, vivemos muita coisa: tocamos em projetos da escola, cursamos matérias juntos e nos ajudamos, assistimos cada um crescer como pianista dentro do curso. A Joana já estava lá, e aos poucos fomos tendo contato com ela e com a sua música. O Flávio já estava saindo do curso quando a gente entrou, e ele já tinha estabelecido uma amizade bacana com a Joana. O Anderson foi o último de nós a entrar no curso e passou a fazer parte de um grupo bacana de colegas, que se divertiam juntos e curtiam boa música.

Duo de piano a 4 mãos de Bárbara e Ricardo

Cada integrante acabou contribuindo e trazendo algo de si pro Grupo Quinto. Eu, por exemplo, sempre me identifiquei com a Joana em relação ao desejo de fazer algo mais pela música e pela cultura aqui em BH, já que enxergamos cada vez mais espaço para isso. Também nós duas somos alunas de dança no coletivo Movasse. O Flávio deu um empurrão decisivo pro surgimento do grupo, colocando a necessidade da união dos pianistas pra nos fortalecermos. A Izabela está sempre muito antenada com as oportunidades que surgem através de editais e projetos e ela mesma participa de muita coisa. O Ricardo ajuda demais na parte de divulgação do grupo e vem sempre com idéias novas e bacanas. A Fernanda também é bastante inquieta e, além de ajudar a conduzir o grupo com profissionalismo, traz sugestões muito interessantes. E o Anderson põe lenha na fogueira dessa criatividade toda, dando muitas sugestões nos nossos ensaios, além de ajudar a gente, gravando vídeos nossos tocando as peças. Tudo isso ajuda a nos mostrarmos pro público, do jeito que somos, com nossas qualidades e imperfeições…

Para finalizar, acho que somos resultado de um encontro de trajetórias, que passam a caminhar paralelamente a partir do momento em que criamos um projeto audacioso em conjunto. Fica, então, a pergunta: será que o Grupo Quinto não pode ter começado antes? Há 20 anos, quando conheci a Fernanda??? Ou quando nós todos nos encontramos na Escola de Música da UFMG, há uns 6, 7 anos? Não dá pra saber… O que temos certeza é do nosso desejo de transformar o mundo e nós mesmos, através da nossa paixão em comum: a música e, principalmente, o piano.

Por Bárbara Freitas