Vamos todos cirandar?

No dia 19 de julho, o Grupo Quinto estreou na cidade o seu novo espetáculo, “Villa-Lobos: vamos todos cirandar!”. Nessa frase já tem algo um pouco estranho para o universo bastante acadêmico de seis pianistas que estudaram e se formaram pela Escola de Música da UFMG, acostumados com uma série de convenções próprias da sua área de estudo e trabalho: a palavra espetáculo. Afinal de contas, pianistas fazem concerto! Não é mesmo?

Pois é. Aí que vem o ponto central da proposta do grupo: promover conexões entre as mais diversas formas de arte, entre os pianistas, entre artistas e público, e entre as pessoas. Pegamos emprestado a palavra espetáculo lá do teatro, porque o que nós criamos não é meramente um concerto, mas também não deixa de ter elementos de concerto, de teatro, de artes visuais… Aqui, as fronteiras entre cada arte não são definidas. Nós saímos um pouco do nosso lugar de conforto, e contamos com duas parcerias essenciais para fazê-lo: nossa diretora cênica e figurinista Ana Hadad, e nosso designer gráfico Graziani Riccio.

No nosso espetáculo, arquétipos do universo infantil surgem através de seis personagens pianistas, que levam a um mergulho nas cantigas de roda, tão pesquisadas e difundidas por um dos maiores compositores brasileiros: Heitor Villa-Lobos. As peças foram escolhidas entre as Cirandas e Cirandinhas do compositor, que passeiam pela formação dos pianistas e pela memória do público. O piano – elemento central dessa ciranda – se transforma também em peça chave do cenário, recebendo projeções de vídeos e imagens que interagem com as músicas. Assim, vemos uma bailarina que dança desajeitadamente; ou flores que surgem junto com as notas; ou bolinhas de sabão, imagens do dia e da noite… As imagens arrematam a poesia proporcionada também pela música, pela cena, pela voz de Villa-Lobos…

O espetáculo “Villa-Lobos: vamos todos cirandar!” realiza um verdadeiro ingresso lúdico num mundo muitas vezes considerado árido – o mundo da música erudita. Foi pensado para crianças, mas é aberto para todas as idades. E aí, vamos todos cirandar? Afinal de contas, não é todo dia que se vê pianistas tocando com uma asa azul, ou “espanando” o piano, soltando bolinhas de sabão, usando um desentupidor de pia na cabeça…

Foto: Sérgio Cardoso

Por Bárbara Freitas

Cultivando parcerias (4) – A força criativa de Ana Hadad

Quando comecei a escrever esse post, foi bastante difícil pensar no título. Queria deixar bem claro como o trabalho da Ana Hadad revolucionou a forma que nós – músicos de formação acadêmica tradicional, pianistas do Grupo Quinto – vemos a música, a arte e o mundo de uma maneira geral. Acabei escolhendo a palavra “força criativa” porque uma das coisas que me chamam a atenção nela é como alguém consegue ser tão doce, carinhosa, sensível e ao mesmo tempo ter ideias tão fortes e interessantes sobre a arte que pode ser feita hoje em dia e os seus (des)limites.

Conforme já falamos antes, já cultivamos parcerias com a escritora Luísa Rennó, com a publicitária Mariana Antonoff e com o designer gráfico Graziani Riccio. Parceria não é assim uma coisa estática, não para no tempo. Todas essas pessoas nos impactaram de uma forma definitiva, mesmo que algumas não estejam em contato conosco em certos momentos.Hoje mesmo eu li o texto da Luísa sobre o nosso grupo e entendi mais uma vez o que nós somos, e me emocionei com todas as coisas bonitas que ela escreveu. Os pilares de sustentação que a Mariana lançou para nós vão nos dar base ainda por muito tempo; assim como o trabalho feito com o Grazi, que também está participando do nosso primeiro espetáculo, como designer do nosso cenário.

E foi nesse contexto que a Ana surgiu: começamos a expandir o conceito padrão de concerto de música erudita, criando um espetáculo e tentando dar a ele uma forma artística mais bem delineada, atraente para adultos e crianças. A música, nós já tínhamos: Cirandas e Cirandinhas de Villa-Lobos. Chamamos o Grazi para elaborar nosso cenário, com projeções de vídeos e imagens. E a Ana foi convidada para ser a nossa diretora cênica…. E o trabalho dela nos tirou completamente do nosso lugar de conforto – no bom sentido! Ela nos fez repensar nossa ideia de espetáculo no cenário atual, e com muita sensibilidade, pegou o que nós criamos e trouxe mais poesia, se entregando totalmente ao trabalho. Ela nos entendeu completamente, e nos deu força para seguir em frente, num projeto novo para nós, que está sendo cada vez mais empolgante! Essa nova parceria já nos impactou para sempre – e com certeza ainda dará muitos outros frutos…

Vivemos um momento muito especial, e a Ana é parte importante disso. Por todo o seu carinho, entrega e dedicação: muito obrigado, Ana!

Ana Hadad

Ana Hadad

Por Bárbara Freitas

Villa-Lobos: vamos todos cirandar!

Quando o Grupo Quinto nasceu, fomos movidos por um desejo grande de trabalhar como pianistas em conjunto com diversas artes, interagindo e propondo parcerias artísticas com vários artistas diferentes. Queremos sempre estabelecer as mais diversas conexões entre artistas e público, entre os pianistas (nós mesmos e outros colegas), entre as diferentes formas de arte, enfim: entre as pessoas. Isso para nós é tão forte que está por trás do nosso nome, da escolha da nossa identidade como grupo (não gente, a palavra “quinto” não é porque somos cinco! Hehe).

Pensando nisso, nós propomos um espetáculo diferente, com peças selecionadas entre as Cirandas e Cirandinhas de Villa-Lobos, no qual nós saímos do nosso lugar de músicos para encarar o palco de uma maneira bem diferente…. Villa-Lobos: vamos todos cirandar é um espetáculo concebido para crianças que põe o piano no meio da roda, como o principal participante, mas também onde exploramos diferentes possibilidades cênicas… Acabamos por diluir os limites de onde começa e onde termina cada forma de arte. Afinal de contas, dentro de cada um de nós não há muito limite entre cada habilidade, cada interesse, cada coisa que fazemos, não é mesmo? Nós do grupo, por exemplo, somos pianistas que dançam, que jogam tênis, que fazem capoeira, que falam alemão e francês, que estudam astrologia…

Estão todos convidados! Confira nossa agenda!

Grupo Quinto, uma boa notícia!

Outro dia fui convidado para assistir um ensaio aberto do Grupo Quinto. Ah, está bem: eu não caí do céu neste ambiente, já que não sou músico. Minha filha mais nova é uma das integrantes, mas de qualquer maneira foi um privilégio passar algumas horas naquela companhia.

O Grupo é formado de jovens, muito jovens. E como é mister dos jovens, a criatividade e o desejo de realizar estão muito presentes.

Acompanhei a formação de alguns deles (Bárbara, minha filha e Fernanda, amiga dela de infância, desde muito pequenas), outros de alguns anos, como o Ricardo. Minha casa sempre teve este som do piano ecoando pelas paredes. Entretanto é assustador ver como aquelas crianças de outrora se transformaram… O Grupo Quinto é jovem nos ideais mas é maduro justamente naquilo que une os integrantes: o piano. Ah, está bem, de novo, eles vão dizer que ainda tem muito que amadurecer, mas quem não tem?

Eles ensaiavam uma proposta de trabalho com Villa Lobos. Aprendi que existem cirandas e cirandinhas, e qual é a proposta de cada uma destas classificações. As cirandas são peças de maior complexidade, para músicos mais experientes e as cirandinhas são mais apropriadas para crianças. Mas achei complexas as cirandinhas… Os temas são recolhidos de estórias tradicionais. Fechei os olhos enquanto ouvia as músicas e pude escutar meu pai me contando a estória da menina enterrada pela madrasta:

“Jardineiro de meu pai

Não me corte os meus cabelos

Minha mãe me penteava

Minha madrasta me enterrou

Pelos figos da figueira

Que o passarinho bicou

Xô passarinho…”

Fiquei algumas horas envolvido por aquele clima: música, piano e a energia de jovens talentos que revisitavam as estórias antigas e tradicionais de nosso povo e davam a elas a visão da modernidade perene da música de Villa lobos.

Foi muito bom, recomendo, fiquem atentos ao Grupo Quinto: vai dar o que falar!

Convite do Ensaio Aberto

Post por Otaviano Freitas

Cultivando parcerias (3) – Graziani Riccio e sua arte

A história das parcerias do Quinto tem sido criada aos poucos e através dela contamos, na verdade, a nossa história.

Era uma vez uma manhã em que nos reunimos pela primeira vez com a Mariana Antonoff. Junto com ela veio o designer gráfico Graziani Riccio. Para a nossa sorte!

O Grazi acompanhou desde o início o trabalho da concepção do grupo. Quis conhecer a história de todos os integrantes (uma das reuniões foi praticamente uma sessão de terapia em grupo!), se interessou por como havíamos nos conhecido. E na mesa de reuniões dele sempre tinha caramelos. No meio de tanta conversa, ele ia ouvindo mais música em casa, pesquisando e descobrindo coisas completamente novas para ele, como por exemplo o fato do piano ser um instrumento de cordas percutidas. E que por isso lá dentro daquela caixa de madeira é cheio de martelos! Explicamos que, por esse motivo também, é um instrumento que dá muito trabalho aos pianistas: não produz legatos reais, o que faz de nós experts na arte de iludir os ouvintes. Esses martelos viraram a base do desenho da marca do Grupo Quinto.

Ele mergulhava no nosso universo de pianistas e a gente se encantava com as traduções que ele fazia para a própria arte. Um caderno de folhas A3 que ele preencheu com desenhos, colagens, frases soltas, ideias. O processo criativo todo acontecia muito perto de nós e era conduzido por essa interação. Como o Grazi nos explicou, a criação de uma marca não é como uma obra de arte, pois ela deve levar em conta a necessidade de quem vai utilizá-la como meio de comunicação.

Mas ele é artista e não tem jeito. Marca, blog e facebook depois, ele ainda se aventurou com sua vespa em uma sessão de fotos para o grupo, num domingo de manhã (começando às 7 horas no inverno na Praça do Papa!), com a disposição de sempre! Detalhe do crédito de todas as fotos publicadas aqui para Graziani Riccio.

Motoca do designer

Um viva para essas pessoas das artes visuais, que se propõem a enxergar beleza em tudo e criar um mundo mais poético. A quem se aventura e se dispõe a ir muito além. A quem ajuda a traduzir as palavras em cores.

Grupo Quinto – Nós e o Grazi