Cultivando parcerias (4) – A força criativa de Ana Hadad

Quando comecei a escrever esse post, foi bastante difícil pensar no título. Queria deixar bem claro como o trabalho da Ana Hadad revolucionou a forma que nós – músicos de formação acadêmica tradicional, pianistas do Grupo Quinto – vemos a música, a arte e o mundo de uma maneira geral. Acabei escolhendo a palavra “força criativa” porque uma das coisas que me chamam a atenção nela é como alguém consegue ser tão doce, carinhosa, sensível e ao mesmo tempo ter ideias tão fortes e interessantes sobre a arte que pode ser feita hoje em dia e os seus (des)limites.

Conforme já falamos antes, já cultivamos parcerias com a escritora Luísa Rennó, com a publicitária Mariana Antonoff e com o designer gráfico Graziani Riccio. Parceria não é assim uma coisa estática, não para no tempo. Todas essas pessoas nos impactaram de uma forma definitiva, mesmo que algumas não estejam em contato conosco em certos momentos.Hoje mesmo eu li o texto da Luísa sobre o nosso grupo e entendi mais uma vez o que nós somos, e me emocionei com todas as coisas bonitas que ela escreveu. Os pilares de sustentação que a Mariana lançou para nós vão nos dar base ainda por muito tempo; assim como o trabalho feito com o Grazi, que também está participando do nosso primeiro espetáculo, como designer do nosso cenário.

E foi nesse contexto que a Ana surgiu: começamos a expandir o conceito padrão de concerto de música erudita, criando um espetáculo e tentando dar a ele uma forma artística mais bem delineada, atraente para adultos e crianças. A música, nós já tínhamos: Cirandas e Cirandinhas de Villa-Lobos. Chamamos o Grazi para elaborar nosso cenário, com projeções de vídeos e imagens. E a Ana foi convidada para ser a nossa diretora cênica…. E o trabalho dela nos tirou completamente do nosso lugar de conforto – no bom sentido! Ela nos fez repensar nossa ideia de espetáculo no cenário atual, e com muita sensibilidade, pegou o que nós criamos e trouxe mais poesia, se entregando totalmente ao trabalho. Ela nos entendeu completamente, e nos deu força para seguir em frente, num projeto novo para nós, que está sendo cada vez mais empolgante! Essa nova parceria já nos impactou para sempre – e com certeza ainda dará muitos outros frutos…

Vivemos um momento muito especial, e a Ana é parte importante disso. Por todo o seu carinho, entrega e dedicação: muito obrigado, Ana!

Ana Hadad

Ana Hadad

Por Bárbara Freitas

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Cultivando parcerias (3) – Graziani Riccio e sua arte

A história das parcerias do Quinto tem sido criada aos poucos e através dela contamos, na verdade, a nossa história.

Era uma vez uma manhã em que nos reunimos pela primeira vez com a Mariana Antonoff. Junto com ela veio o designer gráfico Graziani Riccio. Para a nossa sorte!

O Grazi acompanhou desde o início o trabalho da concepção do grupo. Quis conhecer a história de todos os integrantes (uma das reuniões foi praticamente uma sessão de terapia em grupo!), se interessou por como havíamos nos conhecido. E na mesa de reuniões dele sempre tinha caramelos. No meio de tanta conversa, ele ia ouvindo mais música em casa, pesquisando e descobrindo coisas completamente novas para ele, como por exemplo o fato do piano ser um instrumento de cordas percutidas. E que por isso lá dentro daquela caixa de madeira é cheio de martelos! Explicamos que, por esse motivo também, é um instrumento que dá muito trabalho aos pianistas: não produz legatos reais, o que faz de nós experts na arte de iludir os ouvintes. Esses martelos viraram a base do desenho da marca do Grupo Quinto.

Ele mergulhava no nosso universo de pianistas e a gente se encantava com as traduções que ele fazia para a própria arte. Um caderno de folhas A3 que ele preencheu com desenhos, colagens, frases soltas, ideias. O processo criativo todo acontecia muito perto de nós e era conduzido por essa interação. Como o Grazi nos explicou, a criação de uma marca não é como uma obra de arte, pois ela deve levar em conta a necessidade de quem vai utilizá-la como meio de comunicação.

Mas ele é artista e não tem jeito. Marca, blog e facebook depois, ele ainda se aventurou com sua vespa em uma sessão de fotos para o grupo, num domingo de manhã (começando às 7 horas no inverno na Praça do Papa!), com a disposição de sempre! Detalhe do crédito de todas as fotos publicadas aqui para Graziani Riccio.

Motoca do designer

Um viva para essas pessoas das artes visuais, que se propõem a enxergar beleza em tudo e criar um mundo mais poético. A quem se aventura e se dispõe a ir muito além. A quem ajuda a traduzir as palavras em cores.

Grupo Quinto – Nós e o Grazi

Cultivando parcerias (2): os sensíveis pilares de sustentação de Mariana Antonoff

O Grupo Quinto surgiu como tudo no mundo: de uma ideia bem simples. No dia 3 de janeiro de 2012, o Flávio veio com esta: precisamos unir os pianistas desta cidade e começar algo novo! A partir daí, foi um ano de constantes reuniões, tentativas e erros, tudo registrado em muitas e muitas folhas de papel e documentos de Word.

Na metade do ano, chegamos a um ponto em que entendemos que precisávamos de ajuda. Alguém especialmente sensível, meio lado esquerdo e meio direito do cérebro. Que conseguisse organizar os nossos pensamentos e sentimentos que, de artistas que somos, eram naturalmente confusos e esparramados. Foi nesse ponto que o grupo encontrou sua primeira e mais fundamental parceira.

Mariana Antonoff é para nós como aquelas máquinas da fase inicial de uma obra, que fazem buracos na terra para a fundação do prédio. É na fundação que tudo começa, e dela depende a firmeza e a altura do edifício. Assim, ela cavou buracos bem profundos, em reuniões, questionários, pesquisas… Chamou o resultado desse trabalho de Consultoria em Comunicação, mas eu desconfio que seja mais do que isso.

É que a Mari está longe de ser uma máquina. Em vez de concreto, ela encheu esses buracos com imagens, conceitos, cores, sonhos, planos de ação e um nome lindo. Ela apostou no Quinto.

Pelos pilares, pela convivência suave, pela aposta, pela dedicação, pelo profissionalismo, pela amizade, obrigada, Mari.

Mariana Antonoff é publicitária e pode ser lida no blog drawingoncloud.com.br

Cultivando parcerias (1): o Quinto pela escritora Luísa Rennó

Após as devidas apresentações, vamos falar de uma das paixões do grupo: parcerias. Um parceiro é algo entre um colega de trabalho e um amigo. Vai além, se envolve, capricha e faz parte. Traz a sua vivência e, generosamente, oferece sua essência para engrandecer o trabalho do outro. Acreditamos profundamente na força dessas relações para a construção de um grupo melhor e, por que não dizer, de um mundo melhor. Quem sabe no final não seremos todos parceiros?

Já temos uma lista dessas pessoas. Que alegria! Agradecendo suas contribuições, aos poucos vamos contando sobre elas.

Começamos, assim, com o post de apresentação do Grupo Quinto escrito pela Luísa Rennó. Com seus olhos de escritora, é assim que ela nos vê:

As mãos do pianista se ergueram no ar e, por um instante, um instante apenas, pararam. Pairaram no ar, deixando todo o resto em suspenso. Respiração, pensamento, coração, melodia, corpo, memória. Naquele instante, não havia nada. Mas havia algo que preenchia tudo. Era música, esse ser etéreo, que paira no ar, sem poder ser tocada. Até que as mãos do pianista voltem a tocá-la.

 Antigos filósofos gregos acreditavam que o universo podia ser traduzido em quatro elementos: água, fogo, terra e ar. Havia, no entanto, algo inexplicável, que não podia ser visto, tocado ou sentido na pele. A isso, chamaram Éter, o quinto elemento. A substância perfeita, leve e sutil seria capaz de integrar todas as outras, era a essência de tudo que há e o vazio do que não há.

O Quinto é um grupo de pianistas que busca o essencial.

Pianistas que entendem que essencial é a música: o que conecta, integra, não pode ser tocado ou sentido na pele, mas que faz todo o sentido para a vida. E, sentados à frente de um piano, eles podem, sim, tocar aquilo que é puramente essência.

Pianistas que se uniram pelo dom da música e pela vontade de fazê-la circular, integrar, conectar cada canto de Belo Horizonte e levá-la além. Além das salas de concerto e câmaras, dos limites entre palco e plateia, entre a cidade e seus espaços.

Luísa Rennó é autora do blog muitoalemdafronteira.wordpress.com