As primeiras conexões do Grupo Quinto

Como já foi explicado, o Grupo Quinto começou a partir de um convite da Joana Boechat no início do ano para cada integrante do grupo, pra trabalhar juntos e se fortalecer como pianistas. Ela discutiu muito isso com o Flávio Pires, que ajudou a começar com a ideia toda. Ao longo dos meses, e com a ajuda da Mariana Antonoff, ficou claro um objetivo nosso, muito forte: estabelecer conexões entre nós pianistas (e eu gosto de pensar em todos os pianistas, não apenas os sete do grupo), entre a nossa área e várias outras e entre o nosso trabalho e a sociedade, o público.

 Mas se nós pensarmos em conexões entre nós mesmos, vale a pena falar um pouco das que eu, Joana, Fernanda, Ricardo, Anderson, Izabela e Flávio estabelecemos ao longo de anos de convivência. E aí eu me lembro de um dia em que eu e Joana fomos nos reunir com o Graziani Riccio – nosso designer, e uma das pessoas que mais ajudou o Quinto a nascer. Foi uma conversa fundamental para que ele – e nós mesmas – entendêssemos as origens do nosso grupo.

Eu e Fernanda nos conhecemos há 20 anos. Isso mesmo! A gente fazia aula de natação na mesma escola. Depois disso, estudamos no mesmo colégio, fomos colegas de música, e fizemos muitas escolhas de vida bem parecidas. Há até quem diga que somos irmãs gêmeas, e há quem nos confunda! Mas no fundo somos muito diferentes, e é isso que torna a convivência, a amizade e o trabalho em conjunto tão interessantes… Já eu e o Ricardo nos conhecemos há 10 anos. E a nossa amizade foi se estabelecendo aos pouquinhos, mineiramente, e hoje, depois de sermos colegas de música e de escola, somos parceiros de trabalho em várias frentes diferentes… No ano de 2004 – ano do vestibular, nós três estávamos muito juntos, unidos no desejo de ter a música como profissão além de paixão. E foi na prova de música que conhecemos a Izabela, que depois se tornou nossa colega na UFMG. De lá pra cá, vivemos muita coisa: tocamos em projetos da escola, cursamos matérias juntos e nos ajudamos, assistimos cada um crescer como pianista dentro do curso. A Joana já estava lá, e aos poucos fomos tendo contato com ela e com a sua música. O Flávio já estava saindo do curso quando a gente entrou, e ele já tinha estabelecido uma amizade bacana com a Joana. O Anderson foi o último de nós a entrar no curso e passou a fazer parte de um grupo bacana de colegas, que se divertiam juntos e curtiam boa música.

Duo de piano a 4 mãos de Bárbara e Ricardo

Cada integrante acabou contribuindo e trazendo algo de si pro Grupo Quinto. Eu, por exemplo, sempre me identifiquei com a Joana em relação ao desejo de fazer algo mais pela música e pela cultura aqui em BH, já que enxergamos cada vez mais espaço para isso. Também nós duas somos alunas de dança no coletivo Movasse. O Flávio deu um empurrão decisivo pro surgimento do grupo, colocando a necessidade da união dos pianistas pra nos fortalecermos. A Izabela está sempre muito antenada com as oportunidades que surgem através de editais e projetos e ela mesma participa de muita coisa. O Ricardo ajuda demais na parte de divulgação do grupo e vem sempre com idéias novas e bacanas. A Fernanda também é bastante inquieta e, além de ajudar a conduzir o grupo com profissionalismo, traz sugestões muito interessantes. E o Anderson põe lenha na fogueira dessa criatividade toda, dando muitas sugestões nos nossos ensaios, além de ajudar a gente, gravando vídeos nossos tocando as peças. Tudo isso ajuda a nos mostrarmos pro público, do jeito que somos, com nossas qualidades e imperfeições…

Para finalizar, acho que somos resultado de um encontro de trajetórias, que passam a caminhar paralelamente a partir do momento em que criamos um projeto audacioso em conjunto. Fica, então, a pergunta: será que o Grupo Quinto não pode ter começado antes? Há 20 anos, quando conheci a Fernanda??? Ou quando nós todos nos encontramos na Escola de Música da UFMG, há uns 6, 7 anos? Não dá pra saber… O que temos certeza é do nosso desejo de transformar o mundo e nós mesmos, através da nossa paixão em comum: a música e, principalmente, o piano.

Por Bárbara Freitas

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Desclassificando a música

Uma coisa que gosto de fazer é usar o modo randômico do iTunes e ouvir todas minhas músicas misturadas. Hoje foi assim:

1: Sonata em Dó menor de Schubert, com Maurizio Pollini;

2: O funk instrumental Flipside, do Hypnotic Brass Ensemble;

3: Versão do Soulive para Help!;

4: Villa-Lobos, Cai cai Balão, tocado pela Izabela Pavan (do Quinto);

5: Sonata para cello e piano, do Guarnieri, tocado por Antônio Meneses e Celina Szrvinsk (minha querida professora!).

Às vezes surge um grupo de capoeira seguido pela filarmônica de Berlim e por uma peça que eu mesma gravei. Bach, seguido de Billy Holliday, um bom samba de Paulinho da Viola, música oriental com o Kronos Quartet e Jackson do Pandeiro forrozeando no final.

E as pessoas insistem em classificar! Eu gosto de desclassificar.

Postado por Joana Boechat

Sobre a música, essa paixão que é capaz de mover os sentimentos mais profundos

Quando eu tinha 13 anos, já começava a pensar no meu futuro, qual seria a minha profissão. Como boa filha de médicos, naturalmente considerava essa opção. Pensava na cardiologia, por admiração à minha mãe (mais tarde, através de um exercício bolado pelo meu pai – sem envolver sangue ou qualquer coisa que pudesse me causar desmaios – descobri que tinha aptidão para dar nós cirúrgicos, vejam só!). Também pensei na psicologia, pois comecei a fazer análise e gostei muito. Mas… e a música? Contava na escola que era pianista e muita gente achava o máximo… Eu já estava tão acostumada a ser pianista, que não via nada de mais naquilo… Apesar de amar o instrumento e a música em si… Até o dia em que eu visitei a Escola de Música da UFMG. Visitar aquele prédio bonito, novinho, cheio de plantas e que parecia brilhar de tão agradável me fez muito bem. A maior surpresa me aguardava no auditório: um piano de cauda inteira! Detalhe: a convite da minha professora, eu deveria TOCAR naquele piano uma peça que ela queria gravar! Aquele dia mudou minha vida para sempre. Cheguei em casa dizendo que o piano era quase do tamanho de um prédio, ou de um avião, de tão entusiasmada. Mas o que mais me cativou foi ver uma outra professora – que também tinha sido convidada pra tocar no dia – tocar uma peça impressionante, com muito envolvimento. Até hoje, acredito que foi essa paixão que eu vi transbordar dos meus professores que me fez escolher a profissão. Foi aí que eu vi que poderia ter algo que me dava muito prazer e alegria como uma escolha de vida, algo para o meu dia-a-dia em caráter definitivo. Depois disso, estudar música e ser pianista se tornou um grande sonho. O dia que eu vi meu nome naquela lista de aprovados do vestibular foi um dos melhores da minha vida.

Desde então, os anos passaram e a música se instalou na minha rotina. E as emoções fluem de diversas maneiras, seja na beleza das linhas melódicas criadas por Chopin, Beethoven e Villa-Lobos que estejam em determinado momento no meu estudo, seja através das peças mais singelas que meus alunos tocam, com todo um mundo de cores que tento ajudá-los a desvencilhar. Mas toda arte tem um lado que, em certos momentos, pode atrapalhar: o ego. A arte passa muito pelo narcísico, e muitas vezes exige de nós a perfeição. E isso, junto com o cotidiano, pode nos fazer esquecer do potencial transformador da música.

Mas aí a vida trata de nos dar umas cutucadas! Outro dia mesmo, eu estava tocando no Hospital Mater Dei. A direção do hospital adquiriu um piano e deixou-o num saguão de onde o som vaza para muitos andares, e convidou dez pianistas para se apresentarem semanalmente lá, cada um em um dia e horário diferentes. A idéia é trazer alento e alegria para o sofrimento dos pacientes, através da música. Naquele dia, eu estava desanimada, até meio desligada do meu trabalho. De repente chega perto de mim uma senhora com uma caixinha de plástico cheia de docinhos, com um bilhete junto e enfeitada por um lacinho, e me dá aquilo de presente. Ela conta que seu irmão estava internado no hospital havia três meses, e que para ele, nós – os pianistas – éramos como “anjos e fadas”. No bilhete, um agradecimento que me deixou comovida. Depois, ela perguntou quantos pianistas tocavam no hospital, e diante da minha resposta, ela voltou com mais nove caixinhas, que eu deixei na secretaria para todos os meus colegas!

Momentos assim nos ajudam a seguir em frente, com várias certezas: a música vem em primeiro lugar, independente das nossas incertezas, inseguranças e do nosso cansaço; a música é maravilhosa e ela sempre vai atingir as emoções mais profundas das pessoas, fazendo a elas um grande bem, acabando com diferenças; como pianistas e músicos, exercemos um importante papel, trazendo beleza pro mundo e mexendo com as pessoas, ajudando a levantá-las nos momentos mais difíceis; e, finalmente, sejamos nós médicos, advogados, pianistas ou de qualquer outra profissão, nós somos imperfeitos, e é através dessa imperfeição que devemos nos apresentar ao mundo. Aliás, acredito que a grande graça de tudo é essa, a noção da imperfeição. E é justamente isso que dá o gostinho de cada pianista, sejamos nós do Grupo Quinto ou quaisquer outros: o tempero de cada um com uma pitadinha de suas imperfeições…

Post por Bárbara Freitas

Cultivando parcerias (2): os sensíveis pilares de sustentação de Mariana Antonoff

O Grupo Quinto surgiu como tudo no mundo: de uma ideia bem simples. No dia 3 de janeiro de 2012, o Flávio veio com esta: precisamos unir os pianistas desta cidade e começar algo novo! A partir daí, foi um ano de constantes reuniões, tentativas e erros, tudo registrado em muitas e muitas folhas de papel e documentos de Word.

Na metade do ano, chegamos a um ponto em que entendemos que precisávamos de ajuda. Alguém especialmente sensível, meio lado esquerdo e meio direito do cérebro. Que conseguisse organizar os nossos pensamentos e sentimentos que, de artistas que somos, eram naturalmente confusos e esparramados. Foi nesse ponto que o grupo encontrou sua primeira e mais fundamental parceira.

Mariana Antonoff é para nós como aquelas máquinas da fase inicial de uma obra, que fazem buracos na terra para a fundação do prédio. É na fundação que tudo começa, e dela depende a firmeza e a altura do edifício. Assim, ela cavou buracos bem profundos, em reuniões, questionários, pesquisas… Chamou o resultado desse trabalho de Consultoria em Comunicação, mas eu desconfio que seja mais do que isso.

É que a Mari está longe de ser uma máquina. Em vez de concreto, ela encheu esses buracos com imagens, conceitos, cores, sonhos, planos de ação e um nome lindo. Ela apostou no Quinto.

Pelos pilares, pela convivência suave, pela aposta, pela dedicação, pelo profissionalismo, pela amizade, obrigada, Mari.

Mariana Antonoff é publicitária e pode ser lida no blog drawingoncloud.com.br

Cultivando parcerias (1): o Quinto pela escritora Luísa Rennó

Após as devidas apresentações, vamos falar de uma das paixões do grupo: parcerias. Um parceiro é algo entre um colega de trabalho e um amigo. Vai além, se envolve, capricha e faz parte. Traz a sua vivência e, generosamente, oferece sua essência para engrandecer o trabalho do outro. Acreditamos profundamente na força dessas relações para a construção de um grupo melhor e, por que não dizer, de um mundo melhor. Quem sabe no final não seremos todos parceiros?

Já temos uma lista dessas pessoas. Que alegria! Agradecendo suas contribuições, aos poucos vamos contando sobre elas.

Começamos, assim, com o post de apresentação do Grupo Quinto escrito pela Luísa Rennó. Com seus olhos de escritora, é assim que ela nos vê:

As mãos do pianista se ergueram no ar e, por um instante, um instante apenas, pararam. Pairaram no ar, deixando todo o resto em suspenso. Respiração, pensamento, coração, melodia, corpo, memória. Naquele instante, não havia nada. Mas havia algo que preenchia tudo. Era música, esse ser etéreo, que paira no ar, sem poder ser tocada. Até que as mãos do pianista voltem a tocá-la.

 Antigos filósofos gregos acreditavam que o universo podia ser traduzido em quatro elementos: água, fogo, terra e ar. Havia, no entanto, algo inexplicável, que não podia ser visto, tocado ou sentido na pele. A isso, chamaram Éter, o quinto elemento. A substância perfeita, leve e sutil seria capaz de integrar todas as outras, era a essência de tudo que há e o vazio do que não há.

O Quinto é um grupo de pianistas que busca o essencial.

Pianistas que entendem que essencial é a música: o que conecta, integra, não pode ser tocado ou sentido na pele, mas que faz todo o sentido para a vida. E, sentados à frente de um piano, eles podem, sim, tocar aquilo que é puramente essência.

Pianistas que se uniram pelo dom da música e pela vontade de fazê-la circular, integrar, conectar cada canto de Belo Horizonte e levá-la além. Além das salas de concerto e câmaras, dos limites entre palco e plateia, entre a cidade e seus espaços.

Luísa Rennó é autora do blog muitoalemdafronteira.wordpress.com

Grupo Quinto – Nós e o Piano

Olá! Seja bem vindo.

Sente-se, relaxe, desligue o celular.

Somos o Grupo Quinto. O que nós temos em comum é o piano, a cidade de Belo Horizonte e a vontade imensa de usar a música para ligar o mundo à nossa volta. Para saber de onde surgiu tudo isso e como pretendemos fazê-lo, explore à vontade este espaço.

Esperamos que você nos visite, nos leia, nos ouça, nos assista. Esperamos nos ligarmos a você. Este blog é uma das maneiras de fazer isso.

Ouça o silêncio… já vai começar.