Conheça o Grupo Quinto

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As cores do som

Sinestesia é um assunto apaixonante. Não estou falando aqui da patologia (que é um outro assunto, tão interessante quanto!), mas sim dessa metáfora poética e palpável que a gente sente na pele. É ver um alimento e antecipar seu gosto, ouvir uma música e  arrepiar o braço, sentir um cheiro e voltar à infância. Os sentidos se misturam e não podem mais ser distinguidos, trazendo o doce gosto fantasioso da realidade.

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Nessa brincadeira, invenções a la Professor Pardal povoam o nosso planeta desde o século XVIII para criar um instrumento que permita enxergar as cores dos sons. O francês Jesuit Louis-Bertrand Castel foi um dos primeiros, com seu “clavicórdio colorido”, que levantava tiras de papel com a cor correspondente a cada tecla que era tocada.

Alexander Rimington inventou em 1893 o “Colour-organ”, que foi utilizado pelo seu xará, o compositor Alexander Scriabin, em sua “sinfonia sinestésica” Prometheus: O poema de fogo.

Assista à curiosa performance da sinfonia de Scriabin aqui: http://www.youtube.com/watch?v=589_HJtPevo

Música em grupo

Trabalhar com música em grupo definitivamente não é uma coisa recente. Para nós do Grupo Quinto, talvez tenha sido uma maneira diferente de criar um espaço para a nossa música, fortalecendo as nossas ideias. Nos últimos anos, observamos mais grupos surgindo no cenário musical mineiro – seja o da música erudita ou o da música popular. Com isso, gostaria de ressaltar o trabalho de alguns deles:

– O D E R I V A SONS é um grupo de música contemporânea formado por 6 compositores, que decidiram se unir para levar suas composições para o público. Eles incorporam elementos extra-musicais em suas obras, e propõem formas não-convencionais de se utilizar os instrumentos. Para saber mais sobre o grupo e sua agenda, clique aqui.

– O Quarteto Corda Nova é formado por 4 violonistas que se dedicam à música contemporânea. Os músicos desejam aproximar o público desse repertório, e trabalham em parceria com alguns compositores. Em um de seus projetos, os violonistas lançam mão de elementos cênicos e visuais. Para saber mais sobre o quarteto, clique aqui.

– O Toca de Tatu é um grupo de 4 instrumentistas que se propõe a redescobrir e valorizar a música brasileira de todos os tempos, criando arranjos e composições. Sua referência primária é o Choro, o que não limita a interação com outras linguagens. Para saber mais sobre o grupo, clique aqui.

Todos esses projetos parecem ter algo em comum, entre si e com o Grupo Quinto: buscar maneiras inovadoras de trazer a música para o público. O trabalho em conjunto é um campo fértil para novas ideias, e cada membro do grupo traz vivências que enriquecem e dão forma à sua identidade. Parece haver uma ressonância entre essas propostas, aliadas ao momento em que vivemos no cenário musical mineiro e nacional.

E certamente existem muitos outros projetos como esses, que desejamos ainda conhecer. Desejo que cada grupo consiga cativar o público à sua maneira, e que seu trabalho siga contribuindo para a nossa música por muitos anos!

Por Bárbara Freitas

Um público especial

O Grupo Quinto trabalha desde 2012 com um público específico: crianças da rede pública de ensino. Os encontros dos pianistas com as crianças tem sido muito especiais! No final de 2012 o grupo levou para a Escola Municipal Maria das Neves, em Belo Horizonte, um concerto didático. Os alunos puderam ver como funciona o piano que existe na escola e tocaram com os pianistas. Também ouviram peças de Villa-Lobos e Maurice Ravel. Depois escreveram sobre a experiência e enviaram cartões.

Em junho de 2013 aconteceu a estreia do espetáculo “Villa-Lobos: vamos todos cirandar!” para 392 crianças da rede pública de ensino da cidade de Itabira, MG, no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade.

E em outubro de 2013, na última apresentação do espetáculo da temporada, alunos de escolas públicas de São João Del Rei puderam ver o espetáculo do Grupo Quinto no Conservatório da cidade, dentro da programação da Maratona do Piano. O concerto apareceu em uma reportagem do MGTV, da Rede Globo. As crianças também fizeram mensagens e desenhos sobre o espetáculo.

Cada um desses concertos foi muito gratificante para nós. Alcançar novos públicos é uma das metas do nosso grupo. Que o futuro nos traga inúmeras oportunidades de levar música e beleza para essas crianças!

Por Bárbara Freitas

Cia. de Música Teatral

Nos dias 18, 19 e 20 de outubro foi realizado na Escola de Música da UFMG o II Seminário Internacional de Educação Musical.

A programação do seminário contava com um concerto para bebês, realizado pela Companhia de Música Teatral de Lisboa. O espetáculo apresentado foi o “Alibabach”, que encantou não só os bebês, mas todos os pais e alunos do seminário. O espetáculo conta com um cenário simples e lindo, músicas de Johann Sebastian Bach muito bem interpretadas, um bailarino e praticante de yoga fantástico e muitos, muitos momentos de arrepiar!

Além do “Alibabach”, a Companhia de Música Teatral conta com outros espetáculos tão surpreendentes e interessantes quanto! Para os amantes do piano, vale a pena assistir o espetáculo “Anatomia do Piano”.

A música vai além de sua essência, amplia seu significado e nos surpreende ao se conectar com as outras artes. Tudo a ver com o Grupo Quinto, não é?

Para saber mais sobre a Companhia de Música Teatral, acesse: www.musicateatral.com/

Alibabach

Cia. de Música Teatral

Por Fernanda Zanon

Vamos todos cirandar?

No dia 19 de julho, o Grupo Quinto estreou na cidade o seu novo espetáculo, “Villa-Lobos: vamos todos cirandar!”. Nessa frase já tem algo um pouco estranho para o universo bastante acadêmico de seis pianistas que estudaram e se formaram pela Escola de Música da UFMG, acostumados com uma série de convenções próprias da sua área de estudo e trabalho: a palavra espetáculo. Afinal de contas, pianistas fazem concerto! Não é mesmo?

Pois é. Aí que vem o ponto central da proposta do grupo: promover conexões entre as mais diversas formas de arte, entre os pianistas, entre artistas e público, e entre as pessoas. Pegamos emprestado a palavra espetáculo lá do teatro, porque o que nós criamos não é meramente um concerto, mas também não deixa de ter elementos de concerto, de teatro, de artes visuais… Aqui, as fronteiras entre cada arte não são definidas. Nós saímos um pouco do nosso lugar de conforto, e contamos com duas parcerias essenciais para fazê-lo: nossa diretora cênica e figurinista Ana Hadad, e nosso designer gráfico Graziani Riccio.

No nosso espetáculo, arquétipos do universo infantil surgem através de seis personagens pianistas, que levam a um mergulho nas cantigas de roda, tão pesquisadas e difundidas por um dos maiores compositores brasileiros: Heitor Villa-Lobos. As peças foram escolhidas entre as Cirandas e Cirandinhas do compositor, que passeiam pela formação dos pianistas e pela memória do público. O piano – elemento central dessa ciranda – se transforma também em peça chave do cenário, recebendo projeções de vídeos e imagens que interagem com as músicas. Assim, vemos uma bailarina que dança desajeitadamente; ou flores que surgem junto com as notas; ou bolinhas de sabão, imagens do dia e da noite… As imagens arrematam a poesia proporcionada também pela música, pela cena, pela voz de Villa-Lobos…

O espetáculo “Villa-Lobos: vamos todos cirandar!” realiza um verdadeiro ingresso lúdico num mundo muitas vezes considerado árido – o mundo da música erudita. Foi pensado para crianças, mas é aberto para todas as idades. E aí, vamos todos cirandar? Afinal de contas, não é todo dia que se vê pianistas tocando com uma asa azul, ou “espanando” o piano, soltando bolinhas de sabão, usando um desentupidor de pia na cabeça…

Foto: Sérgio Cardoso

Por Bárbara Freitas

Cultivando parcerias (4) – A força criativa de Ana Hadad

Quando comecei a escrever esse post, foi bastante difícil pensar no título. Queria deixar bem claro como o trabalho da Ana Hadad revolucionou a forma que nós – músicos de formação acadêmica tradicional, pianistas do Grupo Quinto – vemos a música, a arte e o mundo de uma maneira geral. Acabei escolhendo a palavra “força criativa” porque uma das coisas que me chamam a atenção nela é como alguém consegue ser tão doce, carinhosa, sensível e ao mesmo tempo ter ideias tão fortes e interessantes sobre a arte que pode ser feita hoje em dia e os seus (des)limites.

Conforme já falamos antes, já cultivamos parcerias com a escritora Luísa Rennó, com a publicitária Mariana Antonoff e com o designer gráfico Graziani Riccio. Parceria não é assim uma coisa estática, não para no tempo. Todas essas pessoas nos impactaram de uma forma definitiva, mesmo que algumas não estejam em contato conosco em certos momentos.Hoje mesmo eu li o texto da Luísa sobre o nosso grupo e entendi mais uma vez o que nós somos, e me emocionei com todas as coisas bonitas que ela escreveu. Os pilares de sustentação que a Mariana lançou para nós vão nos dar base ainda por muito tempo; assim como o trabalho feito com o Grazi, que também está participando do nosso primeiro espetáculo, como designer do nosso cenário.

E foi nesse contexto que a Ana surgiu: começamos a expandir o conceito padrão de concerto de música erudita, criando um espetáculo e tentando dar a ele uma forma artística mais bem delineada, atraente para adultos e crianças. A música, nós já tínhamos: Cirandas e Cirandinhas de Villa-Lobos. Chamamos o Grazi para elaborar nosso cenário, com projeções de vídeos e imagens. E a Ana foi convidada para ser a nossa diretora cênica…. E o trabalho dela nos tirou completamente do nosso lugar de conforto – no bom sentido! Ela nos fez repensar nossa ideia de espetáculo no cenário atual, e com muita sensibilidade, pegou o que nós criamos e trouxe mais poesia, se entregando totalmente ao trabalho. Ela nos entendeu completamente, e nos deu força para seguir em frente, num projeto novo para nós, que está sendo cada vez mais empolgante! Essa nova parceria já nos impactou para sempre – e com certeza ainda dará muitos outros frutos…

Vivemos um momento muito especial, e a Ana é parte importante disso. Por todo o seu carinho, entrega e dedicação: muito obrigado, Ana!

Ana Hadad

Ana Hadad

Por Bárbara Freitas